quinta-feira, abril 27, 2006




Stefan Tischer, Arquitecto Paisagista com um longo currículo, vai estar no ISA dia 28 de Abril, sexta-feira.
Esta conferência vai-se realizar no auditório do pavilhão de Florestal, pelas 18h.

domingo, abril 09, 2006

Acerca da pretensa "recuperação da Torre-Paço de Évoramonte"...

"O alentejano que sobe ao alto do castelo de Évora-Monte, erguido ali ao lado da térrea casinha da Convenção onde a concórdia da família portuguesa foi assinada, ele que tem o sangue de Giraldo-sem-Pavor a correr-lhe nas veias, que assistiu às façanhas e hesitações do Condestável, e que fez parte da insurreição do Manuelinho, sente dentro de si o irreprimível orgulho dum homem predestinado. A seus pés desdobra-se o extenso palco do seu destino: a infindável planície a que dá vida e movimento. São os rios e ribeiros secos que faz transbordar de suor, os negros montados que alegra de vez em quando pintando de vermelho cada sobreiro, a sua casinha escarolada e erma como uma mimosa na botoeira, e as searas que ondulam e reverberam num aceno de abumdância. Um mundo livre sem muros, que deixou passar todas as invasões e permaneceu inviolado, alheio às mutações da história e ao fiel esforço que o granjeia. Nenhum limite no espaço e no tempo. Seja qual for o ponto cardial que escolha a inquietação, terá sempre o infinito diante de si, em pousio para qualquer sementeira. E essa eterna pureza e disponibilidade exaltam o ânimo do posssuidor." - (Miguel Torga)




Aconteceu há tempos recomendar a uma amiga, que não é portuguesa, e ainda não conhecia o Alentejo, que visitasse Évoramonte. Tinha eu na memória sentimentos parecidos áqueles que Miguel Torga descreve... Qual não é o meu espanto ao receber de volta : "gostei bastante de Évoramonte, é pena é o arranjo da torre ser tão feio..."
O arranjo da torre?!
E realmente, pouco depois deparo-me com o artigo "Escalada verde ao topo da história - A recuperação da envolvente da Torre-Paço de Évoramonte primou pela discrição. A intervenção não se sobrepõe ao edifício histórico, mas confere ao espaço uma graça há muito esquecida." no Jornal Arquitecturas de Abril de 2006. Descreve o artigo o projecto dos arquitectos-paisagistas Francisco Caldeira Cabral e Alexandre Lisboa.
Depois de lido o texto e vistas as fotografias não posso deixar de concordar com a minha amiga. De concordar plenamente.





As casas de emigrante há muito que estão identificadas e encaixadas no difícil de classificar, feio (embora pareça começar a estar na moda dizer bem destas). Para as casas de "estilo Lapa", designação de José Manuel Fernandes para a emergente neo-arquitectura tradicional, apesar de alastrarem como cogumelos, há sempre a consolação de uma grande parte não serem projecto de arquitectos. E este novo estilo que surge, e que me parece ser uma constante em todos os projectos decorrentes do Polis? Sim, porque há um sem número de tiques que se repetem em todos os projectos, e deixam antever o nascimento de uma nova corrente...
Este novo projecto de Évoramonte, na minha opinião, está claramente integrado na nova "corrente". Ou talvez a receita seja: "a nova corrente" + "o género de recuperação feita em adeias como Figueira de Castelo Rodrigo e Monsaraz". Frases como "(...) os arquitectos trabalharam na definição de caminhos a seguir pelos visitantes, mas através de uma intervenção minimalista, o mais neutra possível, que não introduzisse alterações topográficas profundas e não comprometesse a preponderância da torre. A subtileza da obra no entanto não significou traços tímidos. Pelo contrário o traçado é fortemente marcado, como forma de identificar a intervenção contemporânea, em contraste com o preexistente." Olho para as fotografias e não percebo. Não percebo mesmo. E continua "Só se tivéssemos um ego demasiado grande é que poríamos ali qualquer coisa que se impusesse à Torre-Paço". Continuo sem perceber.
Falta-me ir a Évoramonte, mas estou com medo...


Do Sul
O branco branquíssimo do muro:
a beleza concreta, acidulada,
do rigoroso espírito do Sul.

Eugénio de Andrade em "Alentejo"


_manel

quinta-feira, março 30, 2006

"Que farei quando tudo arde?" António Lobo Antunes

O espaço exterior deixa de ser apenas uma imagem inerte, transformando-se num poço de sentimentos, um passado e um presente de relações inter-pessoais, de sofrimento e de felicidade. Os vários elementos que compoêm os lugares vão sendo descritos separadamente, sobrepondo-se ao longo do livro até construir uma imagem por inteiro. Lobo Antunes volta ao passado e ao mesmo local muitas vezes ao longo da narrativa, chegando a um auge onde deixa de ser necessário referir o nome do sítio ou da pessoa, dando apenas um elemento da paisagem para que o leitor perceba onde a personagem está e consequentemente o que sente (um elemento da paisagem transforma-se na sua totalidade), "e as gaivotas não é verdade, detestáva-las e no entanto não esqueceste as gaivotas, a forma como devoravam o peixe, esses gritos de criança à tarde", para quê mais palavras? porque dizer eu odiava o meu pai Travesti, a minha mãe Puta, o degredo da minha vida associada aos meus progenitores, se posso dizer "odiava as gaivotas do Bico da Areia!".
Neste livro o "Cá Dentro" aparece como oposição ao "Lá Fora", o Interior, lugar de opressão e sofrimento, o Exterior, como fuga da tristeza, "Julgávamos que se tinha ido embora e as notazinhas a mofarem da gente, o Rui a suspender a guita e veia alguma, uma constelação de feridinhas, atira-lhe uma pedra Paulo, um bocado de tijolo, um torrão, uma merda qualquer que o bicho dá-me cabo dos nervos, o meu quarto nos Anjos a seguir ao quarto da finada,. quase todas as noites despertava cuidando escutá-la, sentava-me na cama a ouvir até me dar conta que era a dona Helena e no dia seguinte rosas novas na jarra, compradas no mercado mais a carne, os tomates, o oregão, não escarlates, quase rosas, procurar os guaches e pintá-las de azul, pintar o sol na parede e as nuvens e as ondas, não as ondas do Bico da Areia, ondas a sério, grandes, quantas vezes ao tornar de Chelas dava com a dona Helena no sofá e o senhor Couceiro a segurar-lhe a mão e como não sou capaz de fazer as coisas de maneira diferente magoá-los por me preocupar com eles, enfurecer-me por os magoar e castigar-me magoando-os mais";
" - Queres apanhar um tabefe não queres malcriada? um cão invisível no quintal antes do nosso..."


_pedro

terça-feira, março 14, 2006

o encontro aproxima-se a passos largos e temos novidades fresquinhas em relação à conferência do ensino e à apresentação de projectos de arquitectura paisagista.

no que toca a conferência, finalmente temos a confirmação de todos os participantes:
João Gomes da Silva (moderador)
Aurora Carapinha (UEVORA), Cristina Castel-Branco (ISA), Frederico Meireles (UTAD), Manuela Raposo Magalhães (ISA), Sónia Azambuja (UALG) e Teresa Andresen (FCUP)
Pedro Seia (finalista FCUP), Valter Vieira (licenciado UEVORA), Verónica Almeida (licenciada ISA), Verónica Fernandes (licenciada ISA)

o concurso sobre o qual serão apresentados os projectos será o intitulado Alto de Colaride, em Sintra.

quem ainda não se inscreveu, que não se preocupe com isso. queremos ver cá o máximo de alunos possiveis.

até breve,

se precisarem de nos contactar:
ana feijão - 967626605
diogo bento - 966387962
manuel portugal - 968675799
pedro varela - 963730848

sábado, março 04, 2006

Tal como prometido aqui ficam os cartazes já reformulados, com o novo programa.

enjoy...


sexta-feira, março 03, 2006

Houve uma pequena alteração no programa original.
A conversa "Diferentes concepções da Paisagem", que estava marcada para as 22h00 do dia 16 tem que passar para o dia anterior (a hora mantém-se).

Pedimos desculpa por qualquer inconveniente, mas esta mudança deveu-se a motivos que nos são alheios.

Logo à noite disponibilizamos o novo cartaz.

Até breve.

quinta-feira, março 02, 2006

A Paisagir veio para ficar e está a organizar uma série de actividades.

A próxima é nos dias 16 e 17 de Março. Um encontro nacional de estudantes de Arquitectura Paisagista.

Os cartazes ficam aqui e se precisarem de mais informações não hesitem em contactarem-nos.








Agora estamos com pressa
, mais tarde explicamos o que somos e o que queremos fazer e também damos mais informações sobre o mega encontro.

Os nossos contactos são:

ana feijão 967626605
diogo bento 966387962
manuel portugal 968675799
pedro varela 963730848
paisagir@gmail.com