terça-feira, setembro 23, 2008

VENDE-SE VENDE-SE VENDE-SE VENDE-SE VENDE-SE VENDE-SE



O convento da graça e a sua fabulosa cerca estão à venda.


_manel

Cabo Verde





A transformação da paisagem protagonizada pelo homem cabo-verdiano.


_diogo

segunda-feira, setembro 22, 2008

aproveitamento



companhia das culturas - castro marim - pedro ressano garcia -revista cubo


_manel

sábado, agosto 23, 2008

CUFADA - GUINÉ-BISSAU

A Cufada é uma lagoa e um parque natural. Feito com a cooperação portuguesa.
Não podes cortar muito mato para semear arroz, só um bocadinho.
Não podes semear caju, a única fonte de rendimento por aqui.
Não podes caçar para vender, só para consumo próprio.
Não podes pôr fogo na lala nem no lugar , terás que o desmatar apenas com a catana.
Em redor do parque.
Podem vir brancos caçar, só por desporto.
Podem vir chineses cortar as árvores que lhe apeteça.
Pode vir gente de Bissau fazer ponta de caju, sem problema.
E ouvi a um importante biólogo português, que faz estudos para todos estes parques:
“É preciso acabar com esta filosofia de ser benevolente com as populações prevaricadoras, é preciso punir esta gente com força, deixarmo-nos de escrúpulos.”


_arnaldo

segunda-feira, agosto 18, 2008

paisagem inédita







O que é uma paisagem inédita?

Algo que antes nunca fora percepcionado? Pedaços de realidade nunca antes processados e perspectivados? Onde encontramos o ineditismo na rotina dos nossos dias?

Será a construção de algo inovador e novo?

Uma paisagem inédita pode ser construída todos os dias, confronta-nos com a sua ambiguidade e obriga-nos a rever sistemas de percepção e representação, coloca-nos perguntas e não responde a nenhuma...vemo-nos inseridos numa situação inesperada sobre a qual é nos dificil enquadrar esta perpectiva.

Ponta do Mato. Seixal.


_clau

quinta-feira, julho 31, 2008

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«A solução do Bairro do Aleixo proposta por Rui Rio passa pela constituição de um Fundo Especial de Investimento Imobiliário (FEII) que viabilizará a "troca" do Bairro do Aleixo e um conjunto quarteirões da autarquia no centro histórico, pela recuperação da baixa da cidade.
(...)
O Bairro do Aleixo está localizado numa zona nobre da cidade, sobranceira ao Douro e perto da Foz, estando rodeado de habitações e condomínios de luxo..»

Jornal de Notícias, 21 de Julho de 2008

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Tudo o que sejam terrenos com vista para o rio, para o mar, virados a sul ou ao lado da estação do comboio, toca a fazer realojamento.

Autoconstrução nem pensar, toca a vagar o terreno e a pôr as pessoas para lá do sol posto.

Toca a entaipar túneis de auto-estrada e a pôr os ciganos do lado de lá.

E depois lá aparece na televisão e
ai ai ui que os ciganos e os pretos andam à porrada.

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_manel

sexta-feira, julho 11, 2008

Africa selvagem


"He esta ilha de Bissau muito grande a qual encerra em si hu reino, limpo de mattos por cuia razão não tem tantos bichos ferozes (...)" (fr. André de Faro, 1662)

Liga-se a televisão e lá estão as girafas, lá estão os elefantes e as gazelas, os crocodilos, os hipopótamos. de vez em quando aparece um africano-indígena-tribal que parece andar por ali como se fosse um caçador recolector, como se vivesse de uns tubérculos e raizes que apanha por aquele chão vermelho. na áfrica dos programas da vida selvagem, África é animal e pronto.

O que não se mostra é que as paisagens africanas são assim porque há milénios que são trabalhadas, há milénios que as pessoas as vêm trabalhando com o fogo. que há centenas de pessoas que vivem ali ao lado daqueles bichos todos. que há ali um monte de gente informada, gente que por acaso é a dona daquele chão...

e há um monte de putos a fazer rap


_arnaldo

Bolanha Salgada

"De forma resumida, a técnica consiste em: identificar um troço de mangal que apresente boas características para o cultivo de arroz; "abrir um caminho" cortando a vegetação a toda a volta; isolar o terreno da invasão das águas das marés pela construção de um dique de terra; cortar a vegetação no seu interior; dividir o terreno em parcelas (priques:c), através de diques secundários; deixar que a água da chuvas provoque o apodrecimento dos troncos e raízes, para permitir o seu arranque ao fim de dois a três anos, época em que o terreno é armado em camalhões; ir progressivamente experimentando o cultivo do arroz com variedades adaptadas à fase de dessalgamento do solo". Marina Temudo in "Inovação e mudança em sociedades rurais africanas. Gestão dos recurssos naturais, saber local e instituições de desenvolvimento induzido"

A bolanha de água salgada é uma avançada técnica de cultivo de arroz utilizada na Guiné Bissau. Esta técnica foi trazida para a região de tombali (sul do país) nos anos 20 pela etnia balanta, levando a que outras etnias residentes (principalmente os nalus e os sossos) começassem tambem a produzir arroz de bolanha até aos dias de hoje, A própria região pela sua elevada pluviometria levou à transformação da técnica, sendo aqui os diques muito mais altos que os do norte da Guiné, na região dos balantas. Os recurssos transformaram a técnica e a técnica transformou as etnias residentes e a paisagem.
Em termos visuais é qualquer coisa de extrordinário, um fantástico rendilhado de dimensões muitas vezes quase infinitas, limitado por palmeirais e mangais.
Hoje a bolanha apesar de ser responsável pela produção de maior parte do arroz da região, tem vindo a ser abandonada, por consecutivos anos de seca, falta de mão de obra jovem e mais recentemente devido à destruição de diques pelas cheias.

1º imagem google de uma bolanha de Cadique (Cubucaré região de Tombali);
2º Bolanha de Catchamba (Cubucaré região de Tombali);
3º Bolanha de Cafal/Cafine (Cubucaré região de Tombali)



_pedro

segunda-feira, abril 28, 2008

A paisagem tem medo da «marca verde» ! O perigo do Lobo mau vestido de avózinha


Portugal esta a ser vendido a Lote, a paisagem não pertence a ninguem, nem aos Portugueses, nem aos Europeus , nem ao resto do mundo. Pertence sim aos «grandes empreendedores» capazes de injectar milhões para aceder á Lei PIN. Com este código de acesso, considerados assim os suportes do único «desenvolvimento» possível, o turismo , podemos continuar a encher o país do Betão. Assim nascem 25 mil camas na zona litoral de grandola, no ultimo reduto Europeu de praias Virgens, mesmo em cima da «incontornável» rede Natura.Assim as margens do Alqueva se transformem em belos pousios para os reformados holandeses...
Mas não se assustem... os resorts serão verdes, vão ter campos de Golf, belos jardins floridos,grandes piscinas ao lado do mar e do grande Lago, quase não vão gastar água...
Vão ter centros de educação ambiental para ensinar a reciclar , muitas casinhas típicas em cima dos solos que estes não prestam para nada.
Vão por os milhões de jovens do Alentejo a trabalhar simpaticamente nas recepções...e os velhotes podem ainda ir la contar umas históriazinhas de embalar.
A paisagem essa será assim cheia de «acontecimentos verdes», cheia de belas cercas que escondem um mundo fascinante por trás.Quem fica de fora da cerca que se amanhe...Ambiente? Isso não tem nada a ver com preservar paisagem, isso tem a ver com paineis solares...

PORTUGALLRESORT poderá ser o slogan futuro de Portugal.

Isto porque a especificidade de cada paisagem não interessa, não é isso em que assenta o turismo mundial...isso são coisas do tempo da avózinha. As pessoas gostam de viajar para verem o que ja viram.

E Portugal nunca vai deixar de ser moda mesmo quando for um amontoado de castelinhos da Barbie .

Agora é o tempo do Lobo mau, o capucho é verde....


_sebastião

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

o cognac de Kapuscinski

Ryszard Kapuscinski (faltam vários acentos que o teclado português não permite) escreve bem. muito bem mesmo. descreve os sítios por onde passou como ninguém. porque descreve as pessoas. não há um minuto onde não fale de pessoas. e por detrás destas pessoas e das suas vidas surgem as paisagens, que vão aparecendo, e de repente estão lá totalmente, sabemos perfeitamente como são, estão mais do que nítidas.

Um texto sobre o fabrico de cognac na Georgia torna-se uma homenagem a esta relação divina com os alimentos. e de repente tudo o que está dentro daquela garrafa e que não se vê aparece.
E é precisamente neste ponto que a ASAE ataca, como uma hiena.


«Vajtang Inashvili me enseña su lugar de trabajo: una gran nave repleta de barriles hasta el techo. Enormes, pesados, dormidos, descansan sobre unos suportes.
En los barriles madura el coñac.
No todo el mundo sabe como se hace el coñac. Para conseguirlo hacen falta cuatro cosas: vino, sol, madera de roble y tiempo. Además, como en todo arte, hace falta gusto. El resto se presenta de la manera siguiente:
En otoño, despues de la vindimia, se fermenta la uva. El alcohol obtenido se vierte en barriles. Los barriles tienen que ser de roble. El secreto del coñac se esconde en los nudos de la madera. Mientras crece, el roble acumula sol. El sol penetra y se posa en los nudos, como el ámbar se posa en el fondo del mar . Es un processo que dura decenas de años. Un árbol joven no daria buen coñac. El roble crece, su tronco empieza a platear. El roble se robustece; su madera cobra fuerza, color y olor. No todo roble dará buen coñac. El mejor lo darán los árboles solitarias que crecen en lugares apartados y en suelo seco. Son los que han acumulado mucho sol. En un roble de estas caracteristicas hay tanto sol quanto miel hay en un panal. Los suelos humedos son acidos, por lo que el roble contiene demasiado amargor. Lo detectaremos al tomar el primero trago de coñac. El roble que en su juventud haya sido herido tampoco dará buen coñac. En el tronco herido los jugos circulan con dificultad, y la madera ya no tiene el mismo sabor.
Después los cuberos hacen los barriles. El cubero tiene que saber su oficio. Si falla el corte, la madera no dará el aroma deseado. Sí dará color,pero no soltará ni pizca de aroma. El roble es un árbol perezoso, y, sin embargo, haciendo coñac, tiene que trabajar. El tenero debe de tener el pulso de un construtor de instrumentos de cuerda. Un buen barril puede durar cien años. Incluso hay que tienem doscientos y más. No todos saldrán bien. Hay barriles sin sabor, y otros que dán un coñac que és oro puro. Sólo passados unos cuantos años se sabe como ha salido el barril.

En estos barriles se vierte el alcohol obtenido con la uva.

Quinientos, mil litros, depende. Se colocan sobre los suportes y allí se dejan. No hay que hacer nada más; sólo esperar. A todo le lhegará su tiempo. El alcohol penetra en la madera, y entonces el roble devuelve todo lo que ha acumulado: el sol, el olor y el calor.
Él arbol exprime sus jugos: trabaja.
Por eso tiene que tener paz.
Como respira, necessita de suaves corrientes de aire. Le gusta el ambiente seco. La humedad estropearía el color, daría un color pesado, sin luz. El vino gusta de la humedad; el coñac no la suporta. Es mucho más caprichoso. El primer coñac se obtiene al cabo de tres años. Tres años, tres estrellas. Los coñacs con estrellas son los más jóvenes, de baja calidad. Los mejores son los de marca, sin estrellas. Éstos han madurado durante diez, veinte, hasta cien años. Aunque, a decir verdad, la edad del coñac es aún mayor. Hay que añadirle la del roble del barril. En la actualidad se trabaja con robles que despuntaron en los tiempos de la Revolución Francesa.
La edad del coñac se reconece por el sabor. El joven es duro, rápido, como impulsivo. Tiene un sabor áspero, rasposo. En cambio, el viejo entra terso, suave. Sólo mas tarde empieza a irradiar. El coñac viejo alberga mucho calor, mucho sol. Sube a la cabeza con lisura, suavemente, sin prisas.
De todos hará su trabajo.»

em El Imperio de Ryszard Kapuscinski, Editorial Anagrama.


_manel