
segunda-feira, janeiro 07, 2008

domingo, dezembro 30, 2007
Os museus estão na Rua
Os jovens não têm voz, e nas escolas há mais opressão do que expressão e discussão. Uma das respostas é vir para a rua com uma lata de tinta e pintar a sua marca, do seu grupo, do seu bairro, as suas criticas e reivindicações nas paredes, cada vez mais ocupadas por publicidade, publicidade para consumir o inconsumível, publicidade que ninguém quer, mas tudo ocupa.
Viva toda a malta que faz bater a esfera no ferro da lata e lança spray sobre estas paredes falsas da cidade, viva toda a malta dos subúrbios que ocupa os seus bairros com tintas e vão ao centro mostrar que os subúrbios também têm voz. A Maior Arte é aquela todos podem fazer, a Maior Arte é aquela que todos podem ver, Os subúrbios são a vanguarda da metrópole, a Tinta é uma das suas principais vozes. Murais! Grafftis! Stencils! Os museus estão na Rua!
P.S. Passou um filme muito bom no Doc Lisboa 2007 sobre a arte de rua que também acho que não deviam perder, deve andar pelas bandas do youtube. "Bomb It" Jon Reiss 2007



quinta-feira, novembro 15, 2007
Os novos antropófagos: Artistas da periferia de São Paulo lançam sua própria Semana de Arte Moderna

quinta-feira, novembro 08, 2007
Já Não Tenho Medo desses Patos Bravos*
Nos vidros da janela do meu quarto vêm-se as sombras dos patos bravos que sobrevoam a cidade, sinto um arrepio e escondo-me debaixo dos lençóis. Os seus olhos vêm frutos em qualquer território, as suas presas são fáceis porque existem patos bravos disfarçados de pessoas, preparam emboscadas para também ficarem com a carne, levam-nas sem que estas possam voltar. As suas asas deixam um rasto de destruição, os seus dentes desfazem qualquer símbolo de beleza, eles comem tudo e não deixam nada. Sei que nos vão perseguir, porque sempre o fizeram.De noite oiço as ordens furiosas que mandam destruir os vales e as montanhas, as pedras e as árvores, para assim construírem betão até aos céus. Lá fora tanta gente sem casa, tanta casa sem gente, eles formam bandos que especulam, que especulam sem parar, o papo inchado quase rebenta de tanto cheio estar.
Tenho medo e só há uma forma de os parar, Juntar-me aqueles que também os receiam, ir lá fora encher o peito e gritar! Gritar até os afugentar!
*Patos bravos são todos aqueles que lucram com a construção massiva e desordenada que se vêm por essas terras fora. Os Patos Bravos não são apenas aqueles que coordenam as operações do betão, são principalmente todos os que controlam e colaboram com a especulação imobiliária. Constroem sobre bons solos e zonas ecologicamente frágeis, minando assim o nosso futuro. Destroem bairros, deixando pessoas sem sítio para dormir, constroem urbanizações sociais isoladas, descaracterizadas e já de base a cair, impossibilitando o direito a uma vida digna. A todos os patos bravos um grito para os afugentar.
Este texto foi escrito para integrar o Jornal Movementos - Pensar e Viver a Cidade. Do Movimento do I.S.A. ]move[ movimento aberto por outra vida na escola_pedro
quarta-feira, outubro 17, 2007
Edgar Gouveia Júnior

_manel
segunda-feira, outubro 15, 2007
Barragem de Foz Tua gera apreensão em Mirandela e Murça por causa da ferrovia e das vinhas 04.10.2007 - 12h52 Lusa, PUBLICO.PT
O presidente socialista da Câmara de Murça afirmou por seu lado estar “apreensivo” com a construção da barragem do Tua porque ela vai afectar vinhas durienses no concelho. O autarca reconhece, no entanto, que a barragem também poderá “trazer maior riqueza à região”. A barragem do Foz Tua, localizada na foz do rio Tua, que integra o Plano Nacional de Barragens hoje apresentado pelo ministro da Economia, representa um investimento de 177 milhões de euros e tem uma capacidade instalada de 234 megawatts (MW). Os cerca de 60 quilómetros que restam da linha do Tua, que liga Mirandela ao local com o mesmo nome do rio, são a única ligação ferroviária do Nordeste Transmontano. Esta linha liga a região ao litoral, no Porto, ao cruzar-se no Tua com a linha do Douro.
_manel
sábado, outubro 13, 2007
Mais uma torre mais alta
No seguimento da notícia publicada aqui, na Paisagir, a 11.08.2007, deixo, desta feita, mais um feito do senhor arquitecto.
Se bem que com diferentes enquadramentos políticos da notícia acima referida (e respectivos comentários), "um dos mais recentes projectos do OMA, a Torre Bicentenário, será a mais alta torre da América Latina e símbolo das comemorações, em 2010, dos 100 anos da Revolução Mexicana." (arq./a n.º49).
_diogo
quinta-feira, outubro 11, 2007
O cavalo ( ou borrego ) de Mazouco

uma paisagem inóspita, das mais inóspitas que há. ribanceiras, granitos escarpados e amontoados, e grifos a pairar. e depois um pequeno cavalo (ou borrego) gravado na rocha muda tudo. torna-se um lugar a que se vai para olhar o bicho, passa a haver uma razão para entrarmos no meio do inóspito. e aquele sítio torna-se nosso. foi concerteza a maneira mais inteligente, mais simples de tornar o selvagem e brutal acolhedor. antes da casa e da aldeia aquele pequeno cavalo gravado na rocha. como deveria ser reconfortante depois de dias perdido pelos montes, acossado por feras, encontrar aquele pequeno cavalo ali gravado na rocha.
Freixo de Espada à Cinta

Freixo de Espada à Cinta é num buraco. Uma cova estranha que não se percebe se é um vale, se uma cratera, não se percebe nada. Olha-se com atenção em busca de uma ribeira e nada, apenas pequenos regatos que parecem correr não seguindo qualquer lei da física. Fica ao lado do Douro mas não fica. O buraco não deixa perceber, nem sequer suspeitar, da existência de um rio ali tão perto. Quem venha de onde quer que seja, de Moncorvo, de Miranda ou de Barca de Alva nunca saberá quando está ou quando não está a chegar. Poderá apenas suspeitar da proximidade ao avistar bandos de grifos a sobrevoar enormes penedias de granitos. E depois entra-se dentro do buraco e não se percebe mais nada. Mas quando se sobe à torre heptagonal que sobrou do castelo, ou à pequena capela dos Montes Ermos, é um deslumbramento.
quarta-feira, outubro 10, 2007
Realidades virtuais. O lugar e a viagem.

Tavira flutua ainda na manhã, baloiçando entre a frescura de ser dia e a preguiça de ser tarde, mas é precisamente neste limbo que me acedo a abandoná-la. Parto em busca de um lugar próximo, referido por quem conhece por misterioso e belo. São 7km apenas a partir da cidade, sinuosos, cada vez mais enigmaticos, um passaporte para um qualquer desterro nos confins do mundo, mas chegamos finalmente. Estamos no Pego do Inferno. Outubro mas parece verão. Nunca vi nada tão verde. Um verde limão que encadeia e refresca os olhos, em plena serra algarvia, um percurso de escadas e rampas construidas numa estrutura de madeira alaranjada, uma ponte em arco (aqui so vemos o ceu, o verde das laranjeiras e um rio), caminhando ouvimos susurros de trabalhadores agrícolas que nos acompanham ocultos a uma lagoa estranhamente ainda mais verde que tudo o resto, tão profunda que se conta a história que uma carroça se despenhou e nunca mais submergiu. Duas pessoas entram na água mas rapidamente nadam para sair, o verde é em demasia, não é transparente e as lendas liquefazem-se à sua volta. Não permaneço mais de 5 min a olhar para a lagoa, tenho que voltar atrás, o caminho é longo, e de tão enigmatico desconforta, quero voltar ao meu carro, ligar o rádio e ouvir musica comercial, chegar a tavira e comprar o jornal, beber café e fumar cigarros e tenho a certeza que esta paisagem me irá povoar os sonhos mesmo que eu não queira. Não me arrependi mas não sei se volto.
Os lugares , os mitos , os sonhos, o escape, estar fora para querer voltar para dentro, é essencial para povoar a mente urbana. Nós precisamos, a cidade precisa e tudo o resto também.
_sebastiao
