segunda-feira, outubro 15, 2007

Barragem de Foz Tua gera apreensão em Mirandela e Murça por causa da ferrovia e das vinhas 04.10.2007 - 12h52 Lusa, PUBLICO.PT

O presidente da Câmara de Mirandela, José Silvano (PSD), sustentou hoje que a decisão do Governo de construir a barragem de Foz Tua vai acabar com o que resta do caminho-de-ferro no Nordeste Transmontano considera “incompreensível” que o Governo decida avançar com esta barragem, que vai submergir parte da linha do Tua, tornando aquela ferrovia inútil.
O presidente socialista da Câmara de Murça afirmou por seu lado estar “apreensivo” com a construção da barragem do Tua porque ela vai afectar vinhas durienses no concelho. O autarca reconhece, no entanto, que a barragem também poderá “trazer maior riqueza à região”. A barragem do Foz Tua, localizada na foz do rio Tua, que integra o Plano Nacional de Barragens hoje apresentado pelo ministro da Economia, representa um investimento de 177 milhões de euros e tem uma capacidade instalada de 234 megawatts (MW). Os cerca de 60 quilómetros que restam da linha do Tua, que liga Mirandela ao local com o mesmo nome do rio, são a única ligação ferroviária do Nordeste Transmontano. Esta linha liga a região ao litoral, no Porto, ao cruzar-se no Tua com a linha do Douro.


_manel

3 comentários:

diogo disse...

Há já muito tempo que ouço falar na possível desactivação desta linha por falta de utilização e o que mais me espanta é que isso ainda não tenha acontecido.
Por outro lado, esta é das mais bonitas linhas do país e questiono se será sustentável mantê-la sob a 'desculpa' do turismo.

joão disse...

Verdes apelam à UNESCO para impedir a barragem do Tua

O Partido Ecologista “Os Verdes” apelou à UNESCO para impedir a construção da barragem da foz do Tua. No dossier enviado quinta-feira ao Comité do Património Mundial da Organização das Nações Unidas seguiram informações sobre o projecto do Plano Nacional de barragens (PNB) para o Alto Douro.
“Informámos e alertámos a UNESCO para as pretensões que o Governo tem para uma zona que está classificada como património da humanidade.
Temos dúvidas que o executivo o tenha feito, apesar de estar previsto na convenção assinada em 2001 [aquando da classificação do Douro]”, disse ao PÚBLICO Manuela Cunha.
“Os Verdes” consideram que a construção da barragem, “ a um quilómetro da área classificada constituiria uma ferida na região, feita por quem deveria cuidar deste património”. O motivo, segundo Manuela Cunha são “os outro interesses que se sobrepõem e que levam o Governo a omitir que a barragem se situa naquela zona, considerando o impacte da construção nulo”.
A paisagem de Pinhão e Carrazeda de Ansiães não voltará a ser a mesma, disse Manuela Cunha.
Em risco estão “não só a zona vinhateira do Douro, mas também as escarpas rochosas e o olival”. Alem da submersão de 35 a 40 quilómetros da Linha do Tua –“uma das mais belas linhas ferroviárias do mundo”. A dirigente do partido ecologista entende que o PNB é “um plano megalónomo do betão, com argumentos falaciosos” e uma política energética “contraditória”, que insiste em fazer submergir uma linha ferroviária que “responde aos problemas de transporte daquela região”. Com grande fama turística, os 60 quilómetros da linha que liga Mirandela ao Tua constituem o último troço de caminho-de-ferro do Nordeste Transmontano.
“Os Verdes” indicaram que também as barragens do Fridão e de Almourol poderão afectar as localidades mais próximas: Amarante e Constância, respectivamente. Sara Capelo

in Publico de 10.11.07

joão disse...

Só quando acabei de o transcrever, é que reparei que o manel já tinha encetado o tema.
Deixei o artigo aqui porque acho que faz mais sentido, embora menos gente o vá ler...